História

Origens: 2300-1200 a.C.

Em termos de arqueologia, língua e religião, pouco separa os fenícios das outras culturas da região de Canaã. Como canaanitas, sua única diferença eram seus notáveis feitos marítimos. Nas tabuletas de Amarna do século XIV a.C., chamam-se de Kenaani ou Kinaani (“canaanitas”), embora estas cartas antecedam a invasão dos Povos do Mar em mais de um século. Bem mais tarde, no século VI a.C.,Hecateu de Mileto escreve que a Fenícia era chamada anteriormente de χνα, um nome que Filo de Biblosadotou posteriormente em sua mitologia como seu epônimo para os fenícios: “Khna, que posteriormente foi chamado de Phoinix.” Já no terceiro milênio a.C. expedições marítimas eram sido feitas pelos egípcios para trazer “cedros do Líbano”.

O relato de Heródoto (escrito por volta de 440 a.C.) se refere aos mitos de Io e Europa:

Estudos Genéticos

Spencer Wells, do Genographic Project, realizou estudos genéticos que demonstraram que a população masculina do Líbano, Malta, Espanha, e outras áreas colonizadas pelos fenícios, partilham o mesmocromossomo-Y M89. As populações masculinas que habitam as áreas associadas com a civilização minóica e os Povos do Mar têm marcadores genéticos totalmente diferentes, o que indica que não existia relação ancestral entre os fenícios e estes povos.

Em 2004, dois geneticistas da Universidade Harvard, importantes cientistas do Projeto Genográfico daNational Geographic, Pierre Zalloua e Wells, identificaram “o haplogrupo dos fenícios” como sendo o haplogrupo J2, deixando aberto o caminho para estudos futuros. A população masculina da Tunísia e de Malta também foram incluídos nestes estudos, e mostraram partilhar “contundentes” semelhanças genéticas com os libaneses. Em 2008 cientistas do Genographic Project anunciaram que “até um em cada 17 homens vivendo atualmente no litoral do Norte da África e sul da Europa pode ter um ancestral fenício direto em sua linhagem paterna.”

[editar]Ápice: 1200–800 a.C.

O historiador francês Fernand Braudel comentou em seu livro, A Perspectiva do Mundo, que a Fenícia foi um dos primeiros exemplos de uma “economia-mundial” cercada por impérios. O ponto alto da cultura fenícia e de seu poder marítimo costuma ser datado como o período que vai de 1200 a 800 a.C.

Diversos dos importantes centros urbanos fenícios, no entanto, haviam sido fundados muito antes disso: Biblos, Tiro, Sídon, Simira, Arwad eBeirute (Berytus) são citadas nas tabuletas de Amarna. A arqueologia identificou elementos culturais do zênite fenício já no terceiro milênio a.C.

Uma liga formada por cidades-estado portuárias independentes, juntamente com outras situadas em ilhas ou ao longo dos litorais do mar Mediterrâneo, era muito apropriada para o comércio entre a região do Levante, rica em recursos naturais, e o resto do mundo antigo. Durante o início da Idade do Ferro, por volta de 1200 a.C., um evento até agora desconhecido ocorreu, associado historicamente com a chegada de um povo vindo do norte, conhecido pelo exônimo de Povos do Mar. Estes povos enfraqueceram e destruíram as civilizações egípcia e hitita, respectivamente; no vácuo de poder que se seguiu à sua chegada, diversas cidades fenícias adquiriram importância como potências marítimas.

As sociedades fenícias estavam fundamentada em três bases de poder: o rei; o templo e seus sacerdotes; e o conselho de anciãos. Biblos foi a primeira cidade a se tornar um centro predominante, a partir de onde os fenícios saíram para dominar as rotas comerciais dos mares Mediterrâneo e Eritreu (Vermelho). Foi nesta cidade que a primeira inscrição no alfabeto fenício foi encontrada, no sarcófago de Ahiram (c. 1200 a.C.). Posteriormente, Tiro tornou-se a cidade mais poderosa; um de seus reis, o sacerdote Itobaal I (887-856 a.C.) estendeu seu domínio sobre a Fenícia até a cidade de Beirute, e conquistou parte da ilha de Chipre. Cartago foi fundada em 814 a.C., pro Pigmalião de Tiro(820-774 a.C.). O conjunto de cidades-reino que formavam a Fenícia passou a ser conhecido por estrangeiros, e até mesmo pelos próprios fenícios, como Sidônia (Sidonia) ou Tíria (Tyria); os fenícios e cananeus eram chamados de sidônios ou tírios, à medida que uma cidade fenícia sucedeu a outra no poder.

Declínio: 539-65 a.C

Ciro, o Grande, rei da Pérsia, conquistou a Fenícia em 539 a.C. Os persas dividiram a Fenícia em quatro reinos vassalos: Sídon, Tiro, Arwad, e Biblos. Estes reinos prosperaram, e forneceram frotas navais para os reis persas. A influência fenícia, no entanto, passou a diminuir depois da conquista; é provável que boa parte da população fenícia tenha migrado para Cartago e outras colônias depois do domínio persa. Em 350 e 345 a.C. uma rebelião em Sídon liderada por Tennesfoi esmagada por Artaxerxes III; sua destruição foi descrita por Diodoro Sículo.

Alexandre, o Grande conquistou Tiro em 332 a.C. após o Cerco de Tiro. Alexandre foi excepcionalmente cruel com a cidade, executando 2000 de seus principais cidadãos, embora tenha mantido o rei no poder. Em seguida tomou posse das outras cidades de maneira pacífica; o soberano de Árados submeteu, e o rei de Sídon foi deposto. A ascensão da Grécia helenísticagradualmente tomou o lugar dos resquícios do antigo domínio fenício sobre as rotas comerciais do leste do Mediterrâneo. A cultura fenícia acabou por desaparecer totalmente em sua pátria de origem, embora Cartago tenha continuado a florescer no Norte da África, controlando a mineração de ferro e metais preciosos na Ibéria, e utilizando seu poder naval considerável e seus exércitos de mercenários para proteger seus interesses comerciais, até a eventual destruição pelas tropasromanas em 146 a.C., no fim das Guerras Púnicas.

Depois de Alexandre, a pátria fenícia foi controlada por uma sucessão de soberanos helenísticos:Laomedonte (323 a.C.), Ptolemeu I (320 a.C.), Antígono II (315 a.C.), Demétrio (301 a.C.), eSeleuco (296 a.C.). Entre 286 e 197, a Fenícia (com a exceção de Árados) foi dominada pelosPtolemeus do Egito, que instauraram os sumos-sacerdotes da deusa Astarte (Eshmunazar I,Tabnit, Eshmunazar II) como soberanos vassalos de Sídon.

Em 197 a.C. a Fenícia, juntamente com a Síria, voltou para a mão dos Selêucidas. A região ficou cada vez mais helenizada, embora Tiro tenha se tornado autônoma em 126 a.C., seguida por Sídon em 111 a.C. Toda a Síria, incluindo a Fenícia, foi capturada pelo rei Tigranes, o Grande, da Armênia, de 82 a 69 a.C., quando o monarca foi derrotado pelo general romano Lúculo. Em 65 a.C. Pompeu, o Grande finalmente incorporou o território à província romana da Síria.

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